Influenciadoras explicam os impactos do Pix na vida financeira

Escrito por: Camilia Majdoub

O Pix chegou e você ainda não entendeu como ele vai impactar a sua vida financeira? Relaxe, a gente explica!

O Pix chegou e você ainda não entendeu como ele vai impactar a sua vida financeira? Relaxe, a gente explica!

Ao longo de Papo Pix, muito falamos do que o Pix representa em termos de inovação, democratização, aspectos jurídicos, inclusão e até como pode servir para fomentar vendas. Agora que cobrimos tudo isso, vamos tocar em um assunto mais delicado, o nosso próprio bolso! Para isso, convidamos duas grandes influenciadoras digitais do mercado financeiro, Ana Laura Magalhães (@explicanana) e Lavínia Martins (@financas_pessoais), para sanar as principais dúvidas que têm corrido pela boca do povo.

Além de influenciar e educar milhares de pessoas todos os dias em suas redes sociais, as nossas duas entrevistadas são totalmente imersas no mercado financeiro; Ana é sócia do grupo XP e Lavínia atua como planejadora financeira pessoal. Assim, munidos de informação dessas mestres, conseguiremos dominar e otimizar a nossa experiência com esse novo meio de pagamento que é o Pix.

Dentre os infinitos questionamentos que uma novidade traz, separamos as principais informações que você precisa para estar totalmente por dentro do Pix e seus impactos nas suas finanças pessoais.

Pix e Segurança

1. O que os bancos vão fazer com os meus dados se eu cadastrar uma chave Pix?

Nota-se que o brasileiro ainda está bastante reticente com o fornecimento de dados pessoais como CPF, celular e e-mail para o cadastramento das chaves Pix. “Tem uma teoria de conspiração na qual acham que o Banco Central (BC) quer mais acesso às informações das pessoas. Isso não é verdade, o BC já tem esses dados, e, se quiser, tem acesso a todas as nossas transações”, Lavínia conta.

Ela explica também que muita gente tem confundido o acesso da receita federal às nossas transações financeiras. Para isso, existe a confidencialidade. Ou seja, para ter acesso às informações financeiras de alguém, a receita federal precisa entrar com uma ação na justiça para obter a quebra do sigilo bancário.

“O que eu tenho trabalhado para ajudar na educação financeira dos meus seguidores é justamente mostrar os benefícios do Pix. Devemos ter medo de fraudes, de gente que quer roubar os nossos dados bancários, isso sim são problemas reais. Não é para temermos se o governo vai ter mais ou menos informações nossas; ele já tem isso, já vivemos um grande ‘Big Brother’”, ela afirma.

2. O Pix é seguro?

O Pix apresenta muito mais benefícios do que possibilidades de coisas ruins. É uma tecnologia que foi desenvolvida aqui no Brasil com o que tem de mais sofisticado em tecnologia de transações financeiras no mundo.

Ana Laura diz que “quando a gente olha pra evolução do Pix dentro de toda essa legislação de open banking que está surgindo no Brasil e vemos o envolvimento da maior autarquia monetária do país liderando essa própria evolução tecnológica, a gente consegue pelo menos entender que é do interesse do próprio BC melhorar esse aspecto de segurança dentro da economia brasileira”.

Então, se você tem uma chave Pix, ela só serve para receber pagamentos. Para fazer um pagamento você tem que estar logado no seu internet banking. Isto é, uma pessoa só consegue tirar dinheiro da sua conta e enviar para outra através do Pix se ela tiver acesso ao seu internet banking ou ao app do seu celular.

Pix versus os meios de pagamento atuais

A nossa relação com meios de pagamento está em constante evolução. Vamos entender as implicações do Pix diante desse cenário de transformação.

1. Pix significa o fim de TEDs e DOCs?

Lavínia conta que, durante uma Live do Banco Central, ela questionou o órgão regulador se o Pix vai substituir a TED e o DOC. A resposta foi que não há previsão de tirar essas formas de transferência de recursos; vão todos coexistir e as pessoas poderão escolher qual elas querem usar. “É bastante democratico, desde que as pessoas tenham conta em algum banco que permita fazer a transação através do Pix”, ela diz.

Já Ana acredita que “o surgimento do Pix traz o fim das TEDs e DOCs. Pode ser que eu esteja sendo muito pessimista sobre as atuais formas de transferência de dinheiro, mas, honestamente elas se tornam obsoletas a partir do momento que a gente consegue colocar em prática algo muito mais prático e desburocratizado como o Pix. Então, não é só o fim das tarifas bancárias cobradas por essas transações, mas realmente a erradicação delas”.

Ainda é cedo demais para sabermos o desfecho dessa saga. O que já dá para adiantar é que as pessoas vão pensar mais sobre o que mais lhes convém quando forem fazer uma transação financeira. O custo e tempo de compensação de TEDs e DOCs com certeza entrarão nessa conta.

2. O Pix vai substituir o cartão de crédito e débito?

Ana acredita que são estratégias complementares: cartão de crédito de um lado, e do outro, Pix para transações de débito. “O Pix vem para substituir totalmente o débito. Não faz sentido a gente continuar com esses mecanismos se temos o Pix que vai utilizá-los”.

Quanto ao cartão de crédito, “o brasileiro é um dos povos mais endividados do mundo.. adoramos um cartão de crédito,” Ana brinca. “Olhando para um Pix, ele pode reduzir as nossas chances de ficarmos endividados, mas ele pode reduzir essa possibilidade que a gente tem hoje de fazer compras maiores, pagando parcelas pequenas em um longo espaço de tempo. Então, com crédito, não acho que o Pix será um substituto tão eficiente”.

Pix e controle financeiro

1. Se o Pix só opera no débito, as pessoas vão se endividar menos?

“O Pix é um meio de pagamento. O que eu faço na minha educação financeira é mostrar que o Pix é mais uma forma de pagamento. As pessoas vão continuar fazendo as compras da mesma forma que elas fazem hoje. O controle financeiro está no extrato bancário; as pessoas precisam ter o hábito de olhar o extrato bancário pelo menos 1 vez por semana para ver o que está acontecendo lá dentro. Apesar de ser gratuito, o fato de você fazer um Pix não é nada diferente da essência de um TED ou DOC, que é tirar dinheiro da sua conta para mandar para outra”, Lavínia explica.

2. Existe um limite de quantos Pix eu posso fazer, já que é gratuito?

O Pix é gratuito para pessoa física e vai ser cobrado para a pessoa jurídica. Sendo assim, se a instituição financeira identificar que uma pessoa física está usando a sua conta para fazer transações como uma jurídica, recebendo transações em uma quantidade grande de recursos e pagamentos, essa pessoa vai passar a pagar tarifas. Para isso, o BC deu autorização para que bancos cobrem tarifa das pessoas que receberem mais de 30 Pix por mês. Isto é, pessoas físicas terão que pagar ao banco a partir da 31ª operação no mês.

3. Vou ser cobrado a mais se eu pagar uma conta de água ou luz com o Pix?

A Agência Nacional De Energia Elétrica (Aneel) informou que vai incluir o Pix como uma das formas de pagamento das cobranças de energia elétrica. As pessoas físicas, porém, não vão ter que pagar a mais para fazer pagamentos de contas de concessionárias como as de água, luz e gás através do Pix. Lembrando que, quem paga o Pix é a pessoa jurídica, quem recebe o dinheiro e não a pessoa que faz o pagamento.

A corrida para o cadastramento das chaves Pix

Há uma disputa entre bancos e fintechs para cadastrar as chaves de seus usuários em suas respectivas instituições. Para isso, até prêmios estão sendo oferecidos. Lavínia explica os dois objetivos das instituições por trás dessa “premiação”:

  1. Aumentar o número de adesão ao sistema do Pix no qual o prêmio é uma forma de acelerar o processo de cadastramento das chaves;
  2. Trazer as pessoas que ainda estão desbancarizadas, para que elas escolham essa instituição, visando aumentar o número de clientes cadastrados em suas bases.

“Esse prêmio é um chamariz para que as pessoas abram uma conta na instituição. Porém, após abrir a conta, apesar do Pix não cobrar tarifas, a pessoa terá que arcar com a manutenção da conta e uma série de outros custos recorrentes”, Lavínia adverte.

Para Ana, trata-se de uma forma de competição interna entre os pares. Qual é o banco mais digitalizado? Qual deles trouxe mais impacto digital para a sua clientela?

O Pix chegou. E agora?

“Fazer um Pix precisa ser tão intuitivo como é abrir uma conta em uma rede social”, Ana diz.

A chegada do Pix é apenas o começo de uma longa revolução. O próximo passo é educacional, é preciso comprovar a relevância e impacto na população na prática. Para isso, é necessária a participação ativa da sociedade nessa iniciativa. Como sabemos, os benefícios são muito atraentes: é grátis e instantâneo. Agora cabe a nós usarmos essa inovação da melhor forma possível.

Você já cadastrou as suas chaves? Já fez um Pix? Não tem por que ficar fora dessa, né?

No próximo episódio de Papo Pix vamos contar relatos de insiders do mercado sobre suas primeiras impressões do Pix operando totalmente pelo Brasil. Para receber o conteúdo em primeira mão, cadastre-se na nossa Newsletter no final da página!

Leia também: