Como instituições financeiras e de pagamento enxergam o Pix?

Escrito por: Spin Pay

Há um mês do lançamento do Pix, instituições financeiras e de pagamentos espalhadas pelo Brasil estão em ebulição.

Há um mês do lançamento do Pix, instituições financeiras e de pagamentos espalhadas pelo Brasil estão em ebulição.

Há um mês do lançamento do Pix, instituições financeiras e de pagamentos espalhadas pelo Brasil estão em ebulição. Com ingredientes diferentes, cada player se prepara, seguindo a mesma receita (regulação) do Banco Central (BC), para criar seus pratos (ofertas de Pix).

Para este episódio de Papo Pix, convidamos representantes de diferentes tipos de instituição: um banco tradicional, um banco digital e uma instituição de pagamento. São eles, respectivamente: Gustavo Milaré, gerente executivo da Diretoria de Meios de Pagamento do Banco do Brasil, Guilherme Rovai, responsável pelos times de Design de Produto e Pesquisa da Neon e Rodrigo Furiato, diretor responsável pela wallet do Mercado Pago. Essas diversas perspectivas apontam para a mesma direção: o Pix chega para revolucionar a experiência do cliente final.

“Se mensagens chegam no mesmo segundo, por que precisamos esperar o próximo dia útil para receber dinheiro?”, Guilherme indaga.

Pix: a Revolução Copernicana dos meios de pagamento

Durante 1500 anos, acreditava-se no Geocentrismo, teoria que postulava que a Terra estava imóvel e o Sol dava uma volta completa em torno dela em um período de 24 horas. Essa tese foi defendida por sábios como Aristóteles e Platão, até que um dia, Nicolau Copérnico decidiu desafiá-la. Foi então que surgiu o Heliocentrismo, isto é, a noção de que o Sol está parado e que é a Terra que faz um movimento de rotação completa em torno de seu próprio eixo no decurso de 24 horas. O resto da história vocês já sabem…

Como vimos ao longo dos episódios de Papo Pix, ainda há uma grande lacuna no universo dos meios de pagamento. As opções atuais são custosas, datadas, morosas e dificultam, ou até excluem, grande parte da população. Quem sai perdendo? Quase todos.

Pode-se dizer, então, que o Pix será uma Revolução Copernicana dos meios de pagamento, já que chega para desafiar as atuais formas de transacionar dinheiro. Neste caso, o Banco Central faz o papel de Copérnico no mercado de pagamentos brasileiro, ao trazer esse novo meio, que ao contrário dos existentes, é instantâneo, barato e inclusivo.

“Vai ser de uma hora para outra? Não. Será preciso um prazo para maturação, até todo o sistema e todos players estarem bem adaptados ao Pix, como hoje estão às TEDs e DOCs”, diz Gustavo que também alerta que as outras formas de pagamento não vão deixar de existir.

Aceleração de pagamentos digitais X Covid-19

A pandemia trouxe à tona uma série de mudanças de comportamento; naturalmente, uma delas foi o aumento do uso de pagamentos digitais.

“Por conta do Covid-19, observamos uma aceleração no uso do cartão sem contato. Além disso, notamos que pessoas que utilizavam o dinheiro em espécie passaram a dar uma chance para receber suas vendas através de uma transferência,” diz Guilherme.

O pagamento do auxílio emergencial também pesou no lado digital. “O app do Caixa Tem, possibilitou a inclusão financeira de muitas pessoas. Esse público todo agora tem a oportunidade de conhecer e ter acesso a instituições financeiras e fintechs. Assim, elas percebem que é mais seguro ter o dinheiro nas contas digitais e realizar transações com QR codes”, aponta Furiato.

“O Mercado Pago teve um incremento altíssimo de usuários neste período [de pandemia], que estavam buscando uma solução digital de inclusão financeira. Então, além de tudo, é um momento super adequado para uma solução como o Pix entrar no mercado”, ele continua.

Já Gustavo aponta que a pandemia exacerbou a questão de compras online. “Hoje a compra pela internet passa a ser o normal e a loja física a exceção. Isso vai alavancar novos negócios”, ele afirma.

Quanto à aceitação por parte dos clientes, o otimismo é unânime. Mas, para isso, é preciso passar confiança.

Experiência, a ordem da vez

Parte da essência do Pix é a simplicidade: será ágil, seguro e fácil de se fazer. Isso deve ser explícito para os clientes. Assim, o grande desafio dos provedores de Pix é proporcionar a melhor experiência de usuário.

“Se todo mundo colocar o Pix em seus aplicativos e contas, mas nenhum cliente entender nada, a chance da gente matar essa oportunidade é muito grande”, Guilherme diz e completa “como tudo que é novo, vamos estar de mãos dadas com o cliente, para explicar tudo certinho”.

Aqui, entra a importância de atender às demandas de diferentes usuários. Mas, como?

Furiato explica: “estamos construindo a proposta de Pix junto aos nossos clientes, através de conversas frequentes. O Banco Central tem soltado a regulamentação aos poucos e quase toda semana tem algo novo, então nós vamos adequando essas conversas”.

Para fazer o Pix emplacar, o foco deve ser garantir uma experiência fluida e descomplicada. Nessa linha, Gustavo afirma que “a maior preocupação do Banco do Brasil é que o processo de cadastramento seja muito simples e intuitivo; bem ‘siga a seta’”.

Com toda essa transparência e abertura aos usuários, esses encontram-se no seguinte dilema:

Como escolher?

Em 1651, em sua grande obra Leviatã, Thomas Hobbes escreveu scientia potentia est, isto é, “conhecimento é poder”. Nada mais atual, né? Vamos explicar…

Quanto tempo você gasta escolhendo um filme no Netflix, uma música no Spotify, um filtro na foto para postar no Instagram e um restaurante no iFood? Vivemos a era das escolhas. Inundados com tantas opções; boas, ruins, ótimas, péssimas; a nossa única saída é a informação, para encontrarmos o que mais nos agrada e agrega valor.

O Pix nos dará a oportunidade de escolher quais instituições fazem mais sentido para o nosso perfil. Nesse momento, cabe aos bancos dialogarem cada vez mais com os clientes sobre essa nova ferramenta.

Se antes oferecer transferências interbancárias gratuitas era um golpe de mestre, com o Pix será compulsório em transações entre pessoas físicas. Logo, surge a necessidade de novos argumentos e estratégias para conquistar e fidelizar clientes: “a guerra das chaves”.

Trava-se, então, uma disputa entre os players para garantir que usuários registrem uma chave em sua instituição. Uma pessoa física poderá cadastrar até cinco chaves, entre elas, três serão principais (CPF, e-mail ou telefone celular) e duas aleatórias. Cada chave estará vinculada a uma única conta bancária e substituirá dados bancários como nome, agência e número da conta para a realização de transações.

“Temos percebido nas conversas com clientes que o nível de conhecimento varia muito. Vemos grandes clientes que estão aprofundados no assunto e discutindo isso de maneira super técnica e comercial com a gente, procurando e avaliando alternativas, como também temos outros com curiosidade alta, mas ainda com pouca profundidade”, Furiato diz.

Na Neon, o foco é o mesmo: “entender o cliente e o Pix em si. Não queremos que o cliente se preocupe com a forma ou a tecnologia que será empregada para fazer o dinheiro dele ir do ponto A para o ponto B. Essa preocupação é toda nossa”, Guilherme explica.

Com clientes armados de tanta informação e ofertas, cabe às instituições a seguinte reflexão: como fazer que escolham o meu produto ou serviço?

A grande resposta é usar todo o feedback e opiniões dos clientes para criar algo que verdadeiramente atenda às necessidades, da melhor forma possível.

Onda de transformação

Sem dúvidas, independentemente do tipo de instituição, o Pix chega como um furacão, impactando todas as linhas de negócio. Quem não encarar como chance de se reinventar vai ficar para trás.

Furiato explica que o Mercado Pago tem revisto todas as contas e o app, pois em cada fluxo e ponto de contato com o cliente, haverá um impacto. “O Pix vai trazer uma acessibilidade muito maior e vemos isso como uma grande oportunidade”, ele afirma.

O Banco do Brasil aposta na inclusão dos desbancarizados, como uma forma de expandir a base das instituições financeiras.

Já Guilherme da Neon, conta com o baixo custo das transações via Pix, que em alguns casos serão gratuitas, como propulsor de um aumento de transicionalidade. Isto é, se antes, as pessoas pensavam duas vezes antes de fazer uma TED, dado seu valor elevado, agora com o Pix, isso não será mais um problema. Ele acredita que isso fará com que o mercado se torne muito mais dinâmico.

Além disso, sabemos que o Pix veio para equiparar os players já estabelecidos aos novos entrantes. Nessa linha, para diminuir a barreira de entrada para novos players no Pix, o BC estabeleceu duas modalidades de participação: direta e indireta. Mesmo com menos estrutura, os indiretos poderão participar contratando os serviços de um participante direto, com as mesmas funcionalidades, porém terão que comprovar uma integralização de caixa de no mínimo dois milhões de reais.

Quer seja por diminuir barreiras de entrada para novas empresas, inclusão de desbancarizados, democratização, aumento de transações, pela chance de se reinventar ou aumento de competição, o Pix oferece ao mercado uma novidade que tem potencial de beneficiar tanto os clientes como as empresas. Um dos objetivos do BC é colocar todos em pé de igualdade para que possam competir pela melhor solução aos usuários-- que vença o melhor!

No próximo capítulo de Papo Pix, contaremos com Alan Chusid, empreendedor serial e CEO da Spin Pay, a primeira fintech a trazer soluções de Pagamento Instantâneo ao varejo brasileiro. Alan abordará sua história como vanguardista e como ele enxerga o futuro com Pix e Open Banking. Para conferir nosso conteúdo em primeira mão inscreva-se na nossa Newsletter no final da página.

Pix e Meios de Pagamento

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